Parafraseando o grande poeta espanhol Antonio Machado numa feliz tradução para português, "o caminho faz-se caminhando" . E é isso que vimos fazendo desde há, pelo menos, 50 anos. Mas toda a informação coligida nos registos paroquiais ao longo de todo este tempo só desde Setembro de 2016 passou a estar sistematicamente organizada e disponível no projecto "Nós, Portugueses".

Recolhidos em todos os arquivos nacionais, reunimos aqui a maior base de dados de índices de registos paroquiais e civis, ultrapassando nesta altura 2.341.000 assentos de baptismo, nascimento, casamento e óbito a que correspondem mais de 3 milhões e 752 mil pessoas pesquisáveis e à indexação, total ou parcial, de 15.478 livros de registos.

Privilegiámos desde sempre os registos de casamentos por serem, naturalmente, os mais ricos em informação. Mas se estes constituem a maioria dos registos pesquisáveis, estão também disponíveis milhares de assentos de baptismo e de óbito. Cada um destes assentos constitui uma peça do gigantesco puzzle que nos permitirá construir um cadastro completo de cada português nos últimos 5 séculos e, através dele, a estrutura do país: social, cultural, política, profissional, empresarial, etc. que é, em última análise, o objectivo do projecto "Nós, Portugueses".

Ao longo do ano de 2023, desenvolvemos este nosso projecto nos concelhos de Oeiras e da Figueira da Foz por acordo com os respectivos municípios e, do mesmo modo, as freguesias de Ponte de Sor e de Torre das Vargens, levantamento este que conta  com o patrocínio exclusivo da Fundação das Casas de Fronteira e Alorna, conforme aqui damos contas em notícias separadas. Em 2024, surgirão dois novos projectos: as freguesias de Chamusca e Ulme, no concelho da Chamusca, e as freguesias de Ervideira, Galveias e Montargil, no concelho de Ponte de Sor.

Prosseguimos em 2022 o levantamento dos casamentos registados em Lisboa onde, sobretudo nos últimos dois séculos, cerca de metade da população era oriunda de todas as outras regiões do país, o que torna este levantamento mais abrangente em termos do país no seu todo. Nessa perspectiva, alcançámos a meta que nos tínhamos proposto e estão já aqui disponíveis todos os casamentos realizados em Lisboa entre 1536 e 1950, o que incluiu os assentos registados nas igrejas (26 de Setembro de 1536 a 31 de Março de 1911) a que se juntam todos os casamentos civis realizados nos quatro bairros da Administração do Concelho de Lisboa entre 1878 e 1911 e os trinta e nove primeiros anos (1911-1950) do Registo Civil com carácter oficial.

Até que o Arquivo Nacional da Torre do Tombo volte a disponibilizar livros das conservatórias do registo civil e, em particular, de casamentos posteriores a 1950, estão aqui disponíveis os índices de todos os casamentos entre 1536 e 1950 correspondendo a um total de 415 anos.

Importa lembrar que além de Lisboa, também Cascais, Oeiras, Portalegre, Figueira da Foz e Leiria têm já todos os casamentos indexados, tendo esta última cidade, tal como os concelhos de Albergaria-a-Velha Cascais e Oeiras, informação muito desenvolvida nos seus sites próprios a que se pode aceder  clicando nos links que aqui identificam estas localidades, o mesmo se aplicando à actual freguesia da Estrela em Lisboa (que engloba as antigas paróquias da Lapa e de Santos-o-Velho).

Organizada por Distritos, Regiões Autónomas (e dentro destes, por concelhos e freguesias) e "outros arquivos" - para já Tânger (Marrocos), Colónia do Sacramento (agora Uruguai) e Cabo Verde - que foram, em seu tempo, parte integrante do Império português, toda esta informação está quantificada nas páginas dos índices dos Registos Paroquiais e Civis.

04 março 2024