A História de um país, de uma nação, é a História das suas gentes. O indivíduo é o núcleo central de qualquer sociedade estruturada.

A investigação e a narrativa históricas privilegiavam os heróis, "aqueles que por obras valerosas se vão da lei da Morte libertando". Mas a realidade é que todos os portugueses contribuíram com a sua existência para a construção da nossa História. Por isso, na esteira da historiografia moderna, entendemos que se devem conhecer todos: os heróis, os Santos, os grandes e os pequenos, os bons e os vilãos, os mais e os menos conhecidos que, em conjunto, construíram Portugal.

Temos condições provavelmente únicas no mundo para fazer essa reconstituição. Para além de outras fontes que nos permitem recuar no tempo, os livros das igrejas que desde o Concilio de Trento (1546) registam todos os baptismos, casamentos e óbitos, permitem iniciar com segurança a construção deste trabalho que pretende registar todos nós, portugueses.

Estes registos paroquiais constituem um acervo que está bem conservado em Portugal, da Torre do Tombo aos arquivos distritais. Desde logo porque, ao contrário do que se passou no centro da Europa, não tivemos em território nacional muitas vicissitudes geradoras de destruição. Salvo o terramoto de 1755, que destruiu irremediavelmente algumas igrejas paroquiais de Lisboa e os seus cartórios e, mais tarde, as invasões francesas que afectaram sobretudo os distritos de Leiria e de Santarém, tudo o mais subsiste, regra geral, em bom estado de conservação. Recentemente, o projecto Digitarq da Direcção-Geral de Arquivos, ao pretender colocar on line todos estes livros, facilita-nos esta tarefa.

Pretendemos reconstruir a teia que une Portugal e os portugueses. Começamos por elencá-los, saber quem foram para entender quem são. Queremos criar este novo projecto que tem como fonte primordial os registos paroquiais portugueses, tão ricos em informação pessoal, laboral, topográfica, social e familiar.

É um projecto inovador e inédito em todo o mundo. Trata-se de uma obra monumental - que permitirá, com rigor científico, conhecer desde logo, a realidade da textura do país entre os séculos XVI e XX: as taxas de natalidade e morte, os índices de fecundidade e de esperança de vida, a literacia e a estrutura profissional, as migrações internas, a origem e quantificação das imigrações de estrangeiros e suas nacionalidades, a toponímia, etc.. A importância deste trabalho reflectir-se-á em áreas diversas como a Sociologia, a Demografia, a Genealogia, a História Militar, Antropologia, Geografia, História Local, etc.

O levantamento sistemático desta imensa informação e a sua organização supõe o recrutamento de muitas colaborações que vão da leitura e recolha de dados até à sua introdução numa base de dados única que permita o seu relacionamento. Passando naturalmente pelos apoios necessários para juntar e viabilizar todas estas sinergias. Pretendemos, em estreita colaboração com as Universidades e o Instituto do Emprego e Formação Profissional, recrutar universitários e jovens à procura de primeiro emprego, a quem ofereceremos um estágio profissional remunerado. Contamos, para isso, com o apoio das autarquias e de todas as instituições, públicas e privadas, que reconheçam a importância do projecto que agora lançamos. E contamos também, naturalmente com o apoio de todos os sócios da Associação dos Amigos da Torre do Tombo que se disponham, em regime de voluntariado, a colaborar connosco.

Constituímos um grupo de investigadores nas várias áreas em estudo que irá executar, supervisionar e acompanhar a evolução dos trabalhos. Acreditamos que a editora Guarda-Mor, com a experiência que todos lhe reconhecem, está em condições de lançar mãos a esta obra e montar a logística indispensável para o êxito da tarefa. Irá fazê-lo em estreita colaboração com a Associação dos Amigos da Torre do Tombo e com a Direcção-Geral de Arquivos, entidade que tutela o Arquivo Nacional da Torre do Tombo e a quase totalidade dos Arquivos Distritais portugueses. Também esperamos contar com o interesse dos Arquivos de Braga e de Coimbra, de vários arquivos locais que albergam livros paroquiais e bem assim, dos Arquivos das Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores.